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Candidato ao Senado pelo Avante, Antonio Galvan voltou a causar polêmica nesta sexta-feira (21) ao criticar a legislação que estabelece punição mais severa para o feminicídio e afirmar que homens e mulheres devem receber a mesma pena quando matam seus companheiros.

A declaração ocorreu durante uma sabatina no Jornal do Meio-Dia, da TV Vila Real, onde o candidato, de perfil conservador, protagonizou um bate-boca com os apresentadores Lúcio Sorge e Camila Della Valle.

Durante a entrevista, Galvan afirmou que o problema não está na diferenciação das penas para crimes contra mulheres, mas nos conflitos familiares e na falta de atuação preventiva do Estado. Segundo ele, os desentendimentos dentro das famílias acabam contribuindo para a destruição dos lares.

"Acaba com a família o desentendimento que existe, e tem uma responsabilidade que é do Estado, que não está fazendo o papel dele. Porque ninguém foi lá ver a estrutura daquela família, o que está acontecendo com a terceira briga", afirmou.

A declaração provocou reação dos apresentadores, que questionaram o candidato sobre a necessidade de uma legislação específica para combater o assassinato de mulheres em razão da condição de gênero.

Galvan, porém, manteve sua posição e defendeu que a pena seja igual independentemente do sexo da vítima.

"Por isso que eu defendo que a pena tem de ser igual. Se for 10 anos, 20, 30, 40, 50, 100 anos, mas que seja igual. Uma vez que uma mulher matou um homem e um homem matou a mulher, a pena tem de ser igual. Eu não defendo a pena diferenciada de forma e maneira nenhuma", declarou.

Em meio ao bate-boca, o candidato também questionou a existência de estatísticas específicas sobre homens mortos por mulheres e comparou os casos aos feminicídios.

"Por que que não coloca a morte do homem atrapalhado por uma mulher em estatística? Pode perguntar lá pro Google", afirmou.

Galvan ainda declarou que não é favorável à morte de ninguém, mas defendeu a aplicação de pena de morte para "marginais". Também afirmou que mulheres deveriam ter acesso a armas para sua própria proteção.

"Ninguém foi lá na casa da mãe daquele cara que morreu, pedir pra ela como é que ela está se sentindo morta por uma mulher. Matou, ela tem que ter a mesma punição", disse.

As declarações ocorrem em meio a um cenário de violência contra a mulher em Mato Grosso. Segundo dados mencionados no debate, o Estado já registrou 31 feminicídios em 2026 até agosto, mantendo índices elevados e a liderança nacional na taxa de feminicídios pelo terceiro ano consecutivo.

Galvan também classificou como "inútil" a Lei nº 14.994/2024, que aumentou a pena para o crime de feminicídio no Brasil, passando de 20 para 40 anos de reclusão. A legislação foi citada pelo candidato em referência à ex-senadora e adversária na disputa eleitoral, Margareth Buzzetti (PP).

"A pena da lei, que a Margareth fez aqui como senadora, não surtiu efeito. Não surtiu efeito, porque a pena reduzida para mulher, ela acaba favorecendo em vários sentidos. A pena tem que ser igual, independente disso. E está aí mais do que provado que tudo que fizeram até hoje não resolveu o assunto", concluiu.

Por Folhamax