Ocorrência policial — Foto por: Reprodução

No sereno da madrugada deste domingo (30), um jovem de 19 anos, morador do Bairro Espírito Santo, procurou a 1ª Delegacia de Polícia e contou aos investigadores de plantão uma história que, inicialmente, parecia caso de roubo e extorsão.

Segundo o rapaz, ele estaria passeando de motocicleta pela badalada Avenida São Luís, conhecida popularmente como “Faixa de Gaza”, quando, em determinado momento, estacionou às margens da via e seguiu a pé em direção à residência de um amigo, onde pretendia “desabafar”.

Porém, ainda segundo o relato apresentado na delegacia, o jovem teria sido surpreendido e atacado por uma “mulher”, que o obrigou a entrar em uma área de mata. No local, conforme a primeira versão, ele teria sido obrigado a realizar uma transferência de R$ 100 via Pix.

Depois disso, afirmou não se lembrar de mais nada, alegando que estaria “meio zonzo”. Após recuperar os sentidos, teria embarcado novamente na motocicleta e seguido para sua residência.

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Mas a história começou a desandar quando a Polícia Civil entrou em cena.

Na tarde desta segunda-feira (31), investigadores da DERF (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos) assumiram o caso e deram início às diligências para esclarecer o suposto roubo.

Durante as investigações, a equipe conseguiu identificar e localizar a pessoa apontada como suspeita. Para surpresa dos investigadores, a suposta “mulher” tratava-se, na verdade, de uma travesti.

Ao aprofundar as apurações e ouvir tanto a vítima quanto a suspeita, a autoridade policial identificou diversas inconsistências na versão apresentada inicialmente pelo jovem.

Diante dos questionamentos, o rapaz acabou confessando que estava embriagado quando estacionou a motocicleta em um posto e, posteriormente, aceitou acompanhar a profissional do sexo até uma área de mata.

Segundo a nova versão apresentada por ele, após o início do programa, percebeu que a profissional era uma travesti e decidiu interromper o encontro. Mesmo assim, realizou voluntariamente uma transferência de R$ 100 via Pix, valor que teria sido previamente combinado pelo programa.

O jovem admitiu ainda que inventou a história de que teria sido vítima de roubo e extorsão. Ele também teria contestado a transação diretamente no aplicativo do banco, numa tentativa de recuperar o dinheiro.

A profissional do sexo confirmou aos policiais que abordou o jovem em seu ponto habitual e que ambos haviam combinado o valor de R$ 100 pelo programa.

Conforme o relato dela, foi realizado apenas sexo oral antes que o cliente decidisse interromper o encontro. Na sequência, ele deixou o local e efetuou voluntariamente o pagamento combinado.

A situação, porém, ganhou um novo capítulo quando a profissional percebeu que o pagamento recebido pelo serviço havia sido contestado e posteriormente cancelado.

Com as versões confrontadas e os fatos esclarecidos, a autoridade policial concluiu pela inexistência de crime de roubo ou extorsão.

O caso foi registrado na delegacia e o jovem deverá responder por falsa comunicação de crime, após admitir que teria inventado toda a história para tentar reaver os R$ 100 pagos via Pix.