Uma mulher condenada a 17 anos de prisão por integrar a quadrilha do ‘Novo Cangaço’ e participar de assaltos em Poconé, a 103 km de Cuiabá, em 2004, foi presa nessa segunda-feira (25), em Aparecida de Goiânia (GO). Elisangela Maria da Silva, de 45 anos, foi localizada pela Polícia Civil de Mato Grosso após investigações realizadas pela Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol) e Delegacia de Poconé.

O G1 não conseguiu localizar a defesa de Elisangela.

O mandado de prisão foi expedido pela Justiça de Mato Grosso em março deste ano pela condenação a 17 anos e seis meses de prisão pelos assaltos ocorridos em Poconé, em fevereiro de 2004.

Elisangela foi apontada nas investigações, juntamente com o ex-marido, por dar apoio material à quadrilha de ladrões de bancos que, em 13 de fevereiro de 2004, assaltou as agências do Banco do Brasil, cooperativa Sicoob Pantanal e a Casa Lotérica de Poconé.

Os crimes, segundo a polícia, foram praticados na modalidade ‘Novo Cangaço’ cuja atuação se caracterizava pela extrema violência no roubo a agências bancárias no interior dos estados e uso de armamento pesado.

A polícia informou que a mulher mantinha um diário em que eram minuciosamente descritos os roubos praticados pelo grupo, que agia em diferentes estados.

Conforme a agenda mantida por ela - e apreendida pela polícia – constavam narrativas detalhadas sobre os roubos praticados. Na agenda havia ainda recortes de jornais, com notícias sobre o roubo realizado em Poconé, que eram mantidos como ‘troféus’. Nas anotações foram encontrados nomes e apelidos de integrantes e ex-integrantes do grupo.

De acordo com a polícia, os integrantes da quadrilha frequentavam a casa de Elisangela e do ex-marido dela no Bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, e lá se reuniam para arquitetar e praticar novas ações.

Em outra casa alugada pelos membros da quadrilha, a polícia localizou armas longas de diversos calibres, fuzis, capuzes, farta munição e granadas de mão.

O ex-marido da mulher presa também foi apontado como envolvido no sequestro de uma estudante de direito de 24 anos, ocorrido em julho de 2005, em Teresina, capital do Piauí.

Crimes do Novo Cangaço

De acordo com a Polícia Civil, o grupo, de aproximadamente 10 pessoas, assaltou os locais usando violência e grave ameaça aos moradores.

Durante o assalto, os integrantes da quadrilha fizeram disparos de forma aleatória utilizando armamentos de diversos calibres, entre eles de uso restrito das Forças Armadas e também armas de guerra como de calibre 7.62, modelo russo AK-47, fuzil americano AR-15, pistolas semiautomáticas calibre 45 e escopetas calibre 12 para amedrontar a população e causar pânico.

Em Poconé, segundo a polícia, os assaltantes fizeram como reféns dois policiais militares, que foram algemados e colocados na carroceria de um veículo e partindo em direção às agências bancárias atacadas.

Depois de render funcionários e clientes das agências, o grupo levou todo o dinheiro dos caixas. Na fuga, ainda roubaram uma camionete, posteriormente, incendiada sobre a ponte do Rio Bento Gomes para impedir que fossem perseguidos.

Outro companheiro

As investigações apontaram que a mulher atualmente mantém relacionamento com outro homem, declarando ser companheira de outro assaltante de bancos, um dos mais procurados do país e preso em uma unidade do Sistema Penitenciário de Goiás.

O atual companheiro da mulher era líder de um dos maiores grupos de roubos na modalidade Novo Cangaço, com ações identificadas em vários estados do Centro-Oeste e Nordeste do País.

De acordo com a polícia, em julho de 2013, o homem que já era foragido da Justiça, foi preso em uma operação deflagrada pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais de Goiás, quando também foram presos 12 integrantes do grupo que realizavam lideradas por ela.

A polícia informou que a organização criminosa da qual Elisangela fazia parte em Mato Grosso possui mais de 30 integrantes, a maioria criminosos conhecidos como ‘Novos Cangaceiros’.

G1/MT