Ocorrência policial — Foto por: Reprodução

Imagens mostram como é a “ilha dos sicários”, um local usado pelo Comando Vermelho para treinar assassinos que depois eram enviados direto para executar rivais do Primeiro Comando da Capital (PCC), em Mato Grosso.

As cenas da ilha do CV foram exibidas pelo programa Cadeia Neles, da TV Vila Real, na quarta-feira (29). O local, escondido em uma área indígena em Santo Antônio de Leverger, às margens do Rio São Lourenço, funcionava como um verdadeiro quartel do crime.

Ali, segundo a Polícia Civil, criminosos passavam por cursos intensivos de tiro, sobrevivência na selva e até táticas de guerrilha, tudo longe dos olhos da população. A investigação, conduzida pelo delegado Fábio Nahas, revelou o nível de isolamento da base.

Para chegar até o ponto exato onde ocorriam os treinamentos com munição real, a equipe precisou sobrevoar a região de helicóptero. O acesso por rio era impossível por conta do período de cheia, e as trilhas por terra não levavam até o coração da área usada pelos criminosos.

O esquema era meticuloso. Os “alunos” eram levados em grupos de quatro até a base.

Primeiro passavam por uma fase de instrução “a seco”, aprendendo a montar e desmontar armas. Depois, eram transportados de barco até uma ilha isolada, onde o treinamento ganhava outro nível: tiros reais com armamento pesado, incluindo fuzis 5.56 e 7.62, pistolas e até metralhadoras.

O curso durava cerca de uma semana. Ao final, os participantes recebiam uma espécie de “certificado” informal dentro da facção e, na sequência, eram enviados principalmente para Cáceres, na fronteira com a Bolívia, onde participavam de confrontos diretos contra integrantes do PCC.

A precisão nas execuções chamou a atenção da polícia. Em poucos meses, foram registrados 15 homicídios e 25 tentativas na região, quase sempre com o mesmo padrão: tiros agrupados, ação rápida e fuga sem deixar rastro, sinais do treinamento especializado.

Pelo menos 20 criminosos passaram pelo centro de formação do CV. Dois instrutores comandavam o “curso”.

Um deles, conhecido como “Pescador”, é apontado como peça-chave do esquema e teria ligação direta com a área indígena. Ele seria casado com uma indígena e usava essa proximidade para operar na região sem levantar suspeitas. As investigações também revelaram que o local não servia só para treinamento.

Havia movimentação de drogas, com distribuição por rios e estradas, abastecendo o tráfico em cidades como Rondonópolis.

A descoberta veio à tona durante a Operação Argos, que cumpriu mandados de busca e apreensão e encontrou armas e munições. Mesmo assim, a polícia não descarta que outros pontos semelhantes possam existir, embora, até agora, este seja o único centro desse tipo identificado no estado.

Por Folhamax