A Delegacia Espcial de Fronteira – Defron em ação integrada com a Agência Regional de Inteligência do 6º CR – ARI PM, deflagraram na manhã desta quarta feira, (28) a Operação “Mindinho", que teve como objetivo prender suspeitos de praticar o crime de “Tortura, Cárcere Privado e Associação Criminosa" contra dois moradores da cidade de Cáceres/MT.
Foram cumpridos 05 Mandados de Busca e Apreensão Domiciliar, bem como, cumpridos 03 Mandados de Prisão, o quarto suspeito encontra-se foragido.
RELEMBRE O CASO:
Após lavratura de Boletim de Ocorrência na data de 28/12/2020, realizado por uma das vítimas, a Equipe Policial da Delegacia Especial de Fronteira – Defron em conjunto com a ARI PM, tomaram conhecimento de que alguns suspeitos de posse de arma de fogo haviam praticado o crime de sequestro contra dois jovens moradores no Bairro Jardim Paraíso, próximo a carne seca.
O crime de sequestro foi motivado pelo fato de que o grupo criminoso atribuía às vítimas o sumiço de 20 kg de drogas que estava escondida dentro de uma residência no Bairro Jardim Paraíso.
Uma das vítimas foi rendida por volta das 06 horas da manhã, quando 03 elementos , estouraram a porta da casa, colocaram a vítima dentro de um veículo gol branco cobrindo sua cabeça com um pano, momento que indagavam sobre onde estava a droga.
A primeira vítima se deu conta de que foi levado pra o interior de uma residência, sendo mantido o tempo todo encapuzado, amarado a uma cadeira.
Dentro da casa os suspeitos se revezavam com ameaças e grande violência, passando a torturar a vítima que pedia socorro e clemência aos torturadores.
A vítima foi agredida com socos, chutes, pedaços de madeira, fios elétricos, e, inclusive teve os dedos amassados e apertados com um alicate.
Na sequencia os suspeitos saíram da casa, retornando em seguida com o amigo também sequestrado, e, da mesma forma ambos, foram castigados.
Após uma sessão intensa de tortura e não aguentando mais apanhar e já consumido pela exaustão, revelou que a droga estava escondida em uma região de mata nas adjacências da “carne Seca”, próximo a uma torre no Bairro Jardim Paraíso, margem esquerda do Rio Paraguai.
Diante da confissão de uma das vítimas, os suspeitos, deixaram um dos torturados no interior da casa, sendo vigiado de perto por um de seus algozes, deslocando com a outra vítima para o local onde supostamente estaria escondida a droga.
A vítima foi colocada na garupa de uma motocicleta, seguido por mais dois elementos a retaguarda em outra motocicleta, que armados, escoltava os marginais.
A vítima e os suspeitos estiveram no provável local onde estaria escondida a droga, porém, não há localizaram, já no caminho de volta os suspeitos bastante violentos, disseram que quando chegasse na residência a vítima iria pagar caro por tê-los “feito de idiotas”, disseram ainda que cortaria o dedo da vítima.
Durante deslocamento ao retornar para casa, durante o percurso, temendo por sua vida, a vítima num ato desesperador, pulou da garupa da moto em movimento, correndo sem olhar para trás, entrou no pátio da Unemat, onde buscou abrigo, momento em que pediu socorro, em seguida foi até a Delegacia Especializada do Adolescente – DEA de Cáceres, onde relatou o acontecido, tendo registrado o boletim de ocorrência.
Bastante machucada a vítima foi submetida a cuidados médicos, passou por exame de corpo de delito, constatando diversos hematomas/lesões pelo corpo.
Diante da informação de que havia ainda uma das vítimas sumidas, foi mobilizado Equipe Policial da Defron/PJC e ARI/PM, visando identificar a residência e localizar a outra vítima que estava sofrendo as torturas.
De posse da localização do imóvel as Equipes Policiais dirigiram até a casa situada na Rua dos Carpinteiros, Bairro Cavalhada III, e, ao aproximarem, ouviram gritos vindo do interior do imóvel, momento em que os Policiais pularam o muro e para surpresa localizaram a vítima com os braços amarrados a uma cadeira, a vítima estava bastante debilitada, apresentava diversos ferimentos na cabeça, hematomas nas costas, bem como, teve o “dedo mindinho da mão direita decepado".

Diante das circunstancias em que a vítima se encontrava, foi solicitado uma Equipe de Corpo de Bombeiros que compareceu no local da residência onde prestou os primeiros socorros, face, a vítima ter perdido muito sangue, bem como, ter sofrido mutilações, após atendimento emergencial, foi encaminhada até o Hospital Regional de Cáceres, onde passou por avaliação médica, e, realizado a sutura necessária para conter as hemorragias causadas pelas lesões na cabeça e membros superiores.
Após atendimento médico, a vítima foi medicada, permanecendo internado no respectivo hospital até o dia seguinte, uma vez que foi realizado exames complementares, raio x, tomografia, etc, pois a cabeça foi bastante acometida durante a sessão de tortura praticada com fito de obter confissão, ou seja, descobrir onde estava a droga que havia sumido.
Ato continuo, foi acionado uma Equipe de Perícia Técnica que se fez presente no local realizando os levantamentos e fotos da casa, palco da tortura praticada contra as vítimas, corroborando com a Investigação, cujos trabalhos fortalecerá o conteúdo descrito no bojo do Inquérito Policial, determinando e individualizando as condutas praticadas pelos autores já reconhecidos e qualificados.
Enfim, o termo ‘tortura’ designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou terceira pessoa tenha cometido, ou seja, suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas.
A Delegada de Polícia titular da Defron, Cinthia Gomes da Rocha Cupido, se fez presente no local, acompanhando de perto o trabalho Policial.
Em sua fala a Delegada lembra “...a libertação do cativeiro e salvaguarda da vida da vítima, se deu em virtude do Trabalho Integrado que realizamos com outras Instituições de Segurança presentes na Fronteira Oeste de Mato Grosso.
Os suspeitos foram indiciados e responderão pelos crimes de Associação Criminosa, Cárcere Privado, Tortura - Lei nº 9.455 de 07 de Abril de 1997.