Foto por: Paulo Pinto/Agência Brasil

Nas eleições deste ano em Mato Grosso, o ranking dos candidatos com o menor apelo popular escancara um fenômeno recorrente do sistema partidário brasileiro, que são as candidaturas lançadas por legendas de menor porte, apenas para preencher requisitos legais ou captar verbas públicas. Este ano, houve nomes com apenas 5 votos.

A candidata com a menor votação registrada em todo o Estado foi Santina Fracaro Nunes, que disputou uma vaga de deputada estadual pelo PSOL sob o nome de urna "Fracaro".  Ela somou apenas cinco votos, equivalente a 0,01% dos votos válidos. Apesar do desempenho residual, Fracaro recebeu R$ 3.150 mil em repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) do diretório estadual da legenda.  

A lista levantada pelo traz o ranking dos 10 candidatos menos votados para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e para a Câmara dos Deputados.  

Além de Fracaro, os menos escolhidos para o parlamento estadual foram Pezão (Psol) com seis votos, Daiane Rodrigues (Agir) 12 votos, Amorezio (Agir) 12 votos, Sillo (PDT) 19 votos,  Mary Evangelista (Agir) 20 votos, Jonas Cabanha (Agir) 22 votos, Julio Kaisah (PDT)  25 votos. Janete Santos (PDT) e Pastora Elietty (AGIR) tiveram 27 votos cada.  

Já para Federal, os lanternas são Lusimar da Canaã (DC) com 20 votos, Priscila Advogada (DC) 41 votos, Vanda (Agir) 42 votos, Natanael Pereira (DC) 45 votos, Izenilda Santos (PRD) 47 votos, Carlos Henrique Bonsi Checoli (PDT) 59 votos, Jecimar Ferreira (DC) 69 votos, Claudia Nóia (DC) 76 votos, Rodrigo Sant'Ana (DC) 79 votos e Cristiano Corretor (PDT) com 95 votos.  

A concentração desses nomes em legendas chamadas de "partidos nanicos", como AGIR, DC e PSOL, além de siglas médias em reestruturação como PDT e PRD, ajuda a explicar o quadro. Especialistas e analistas políticos apontam que a necessidade de cumprir a cota de gênero (que exige no mínimo 30% de candidaturas de cada sexo) leva siglas sem musculatura política a inscrever nomes de última hora.  

Em muitos casos, tratam-se de candidaturas "laranjas" ou puramente burocráticas, criadas com a única finalidade de assegurar que a chapa completa do partido seja deferida pela Justiça Eleitoral e possa acessar a fatia do Fundo Eleitoral.  

Outro fator recorrente nesse perfil de resultado é a desistência ao longo do pleito. Muitos candidatos abandonam a disputa no meio do caminho, por falta de estrutura financeira, apelo popular ou apoio interno do próprio partido, mas não formalizam a renúncia junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).  

Sem o registro formal do abandono, os nomes permanecem nas urnas eletrônicas e acabam computando apenas os escassos votos de familiares, amigos ou do próprio eleitorado desavisado.

Por Gazeta Digital