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O Tribunal do Júri já tem data marcada para julgar Juliane Rodrigues de Almeida, acusada pelo Ministério Público de Mato Grosso de matar a tiros o marido, o cabo da Polícia Militar Walber Diego Coene. O julgamento foi marcado pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada em Justiça Militar, para o dia 10 de dezembro de 2026, às 9h.

O policial foi morto a tiros na madrugada de 27 de janeiro de 2024, dentro da residência onde morava com Juliane, no bairro Morada da Serra, em Cuiabá.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu por volta de 1h50, após uma discussão entre o casal. A acusação sustenta que Juliane teria pegado a arma de fogo pertencente ao marido e efetuado os disparos.

Ainda conforme o Ministério Público, horas antes do crime, Walber teria revelado a familiares e amigos que mantinha um relacionamento extraconjugal havia aproximadamente quatro anos e que tinha um filho fruto dessa relação. Segundo testemunhas mencionadas no processo, a revelação teria abalado Juliane.

A acusação afirma que, após os convidados deixarem a residência, o casal voltou a discutir sobre a suposta traição. Nesse contexto, Juliane teria utilizado a arma do policial e efetuado os disparos que provocaram sua morte.

O Ministério Público denunciou Juliane por homicídio qualificado por motivo torpe. Na decisão de pronúncia, a Justiça entendeu que havia elementos suficientes para que ela fosse submetida ao Tribunal do Júri. A pronúncia, entretanto, não representa condenação e caberá aos jurados analisar o caso durante o julgamento.

Defesa sustenta legítima defesa

A defesa de Juliane apresentou uma versão diferente dos fatos e pediu sua absolvição sumária, sustentando a tese de legítima defesa.

De forma alternativa, os advogados solicitaram que ela não fosse pronunciada por falta de indícios suficientes de autoria ou de dolo. Também foi pedido, em último caso, que o crime fosse desclassificado e que a qualificadora fosse retirada.

A defesa também questionou a dinâmica dos disparos e afirmou que teria ocorrido uma luta corporal entre o casal, além de contestar a forma como as provas e os depoimentos foram analisados.

Os argumentos, porém, não foram acolhidos pelas instâncias superiores. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a decisão de pronúncia e, posteriormente, os recursos apresentados pela defesa foram rejeitados.

O trânsito em julgado da decisão de pronúncia ocorreu em 18 de agosto de 2026.

Perícia descartou acidente ou suicídio

Outro elemento analisado no processo foi o laudo pericial referente à morte do policial.

Conforme a documentação mencionada nos autos, a perícia descartou as hipóteses de suicídio e disparo acidental, apontando que Walber morreu em decorrência de “morte violenta por ação de terceiro”.

Com o encerramento das tentativas de derrubar a decisão que levou Juliane ao Tribunal do Júri, o processo retornou à 11ª Vara Criminal de Cuiabá.

Na decisão que marcou o julgamento, o juiz José Mauro Nagib Jorge declarou o processo saneado e afirmou não haver nulidades ou diligências pendentes que impedissem a realização da sessão.

O julgamento está marcado para 10 de dezembro de 2026, às 9h, quando os jurados deverão analisar as provas apresentadas no processo e as versões sustentadas pela acusação e pela defesa.

Por Folhamax