Operação policial — Foto por: Reprodução

Uma família, ainda não identificada, é alvo da Operação Aposta Perdida, deflagrada na manhã desta quinta-feira (23) para desarticular o grupo criminoso investigado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online. Justiça bloqueou R$ 10 milhões dos alvos. 

De acordo com as informações divulgadas pela assessoria do órgão, são cumpridos 7mandados de busca e apreensão em residências e empresas, suspensão de duas atividades econômicas, bloqueio de contas em redes sociais, sequestro de imóveis e veículos, apreensão de passaportes e bloqueio de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, somando cerca de R$ 10 milhões.

As investigações foram conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com apoio da Diretoria de Inteligência. Os trabalhos apontaram a existência de um esquema estruturado para obtenção de dinheiro ilícito por meio da divulgação e intermediação de plataformas ilegais de apostas, conhecidas como “jogo do tigrinho”, prática considerada ilegal no Brasil.

Os mandados estão sendo cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e também em Itapema. Entre os alvos estão membros de um mesmo núcleo familiar e empresas ligadas ao grupo, que seriam utilizadas para ocultar a origem dos valores.

A operação busca desarticular o esquema, interromper o fluxo de dinheiro ilegal e reforçar a coleta de provas para responsabilização dos envolvidos.

Esquema com jogos ilegais

Conforme apurado, os investigados utilizavam redes sociais para divulgar os jogos, atraindo usuários com promessas de lucros altos e rápidos. O funcionamento apresentava características semelhantes a pirâmide financeira, em que os ganhos dependiam da entrada de novos participantes.

O principal investigado seria o responsável pela articulação do esquema, controlando a movimentação financeira e a ocultação dos recursos por meio de empresas e bens de alto valor.

Lavagem de dinheiro

As investigações indicam que os valores eram disfarçados por meio de empresas, transferências fracionadas e aquisição de patrimônio de alto padrão. Entre os bens identificados estão imóveis de luxo e veículos importados, como BMW, Land Rover e Porsche, incompatíveis com a renda declarada.

Também há indícios de uso de “laranjas”, empresas de fachada e transações simuladas para dificultar o rastreamento. Relatórios técnicos apontaram movimentações milionárias, inconsistências fiscais e conexões com outros investigados e plataformas internacionais ligadas a fraudes digitais.

Influenciadoras no esquema

A esposa e a cunhada do principal alvo também tiveram papel de destaque, atuando como influenciadoras digitais na promoção das plataformas ilegais. Elas utilizavam redes sociais para divulgar links e supostos ganhos, muitas vezes com contas demonstrativas para simular lucros e atrair novos usuários.

Essa atuação ajudava a ampliar o alcance do esquema e contribuía diretamente para a geração de receitas ilícitas, posteriormente inseridas no sistema financeiro.

Ostentação chamou atenção

O alto padrão de vida dos investigados foi um dos pontos que levantou suspeitas. Mesmo com empresas de pequeno e médio porte, o grupo adquiriu rapidamente imóveis de luxo, veículos caros e passou a ostentar viagens e ganhos elevados nas redes sociais, sem comprovação de renda compatível.

Gazeta Digital