Ocorrência Policial — Foto por: Reprodução

Polícia Civil está nas ruas para cumprir 6 prisões e 4 buscas contra uma facção criminosa investigada no homicídio e ocultação de cadáver de Marcos José Vieira Lima, o 'Borel', em 25 de agosto na cidade de São José do Xingu. O corpo dele ainda não foi encontrado. 

De acordo com as informações, essa é a segunda fase da Operação Midnight. Além das prisões e das buscas e apreensões, são cumpridos ainda 4 afastamentos de sigilo telefônico dos investigados, que estão nas cidades de São José do Xingu, Porto Alegre do Norte e Água Boa. 

A investigação aponta que os faccionados estão envolvidos no homicídio triplamente qualificado contra Borel. Eles também são investigados por promover a facção criminosa por meio de ações sociais na região. 

Agora, a polícia quer identificar a dinâmica do grupo criminoso. Borel teve a morte decretada após sofrer um "salve" no tribunal do crime. Sabe-se até o momento que ele foi atraído até uma casa que era ponto de apoio dos faccionados. O convite era para eles usarem drogas no local. 

Porém, foi rendido e submetido à tortura. Por meio de vídeochamada, lideranças da facção determinaram a morte do rapaz por, supostamente, trair um dos líderes. Segundo a apuração, Borel e um dos líderes teriam torturado uma pessoa em dezembro de 2024. Os dois chegaram a ser presos e condenados pelo crime. 

Depois que Borel foi morto dentro da casa, os criminosos levaram o corpo da vítima de moto até um local onde ele foi ocultado. Polícia Civil informou que, até o momento, ele não foi localizado. 

Investigação qualificada

Após a primeira fase da operação, as investigações se estenderam por aproximadamente seis meses, aprofundando-se a partir de análises técnicas realizadas após sucessivos deferimentos judiciais de medidas cautelares e diligências qualificadas, que levaram ao esclarecimento do crime e à identificação dos envolvidos.

Com base nas informações levantadas, somando-se às diligências policiais em campo, relatos testemunhais, relatórios policiais detalhados e outros meios de obtenção de provas, a Polícia Civil comprovou ao Ministério Público e ao Poder Judiciário que a vítima foi assassinada, mesmo sem o corpo ter sido localizado.

De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Onias Estevam Pereira Filho, foram reunidos elementos probatórios consistentes que indicam a participação de ao menos seis pessoas na empreitada criminosa.

Ações de assistencialismo

O mesmo grupo criminoso também está envolvido em ações de assistencialismo, com integrantes sendo indiciados por práticas ilícitas voltadas ao fortalecimento do grupo no município e na região.

Entre as condutas apuradas, estava a distribuição de cestas básicas a pessoas em situação de vulnerabilidade social, como forma de cooptação e ampliação da base de apoio do grupo criminoso.

Midnight

O nome da operação, que em inglês significa meia-noite, faz referência ao principal investigado, que atua como líder da facção criminosa na região.

A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.

Por Gazeta Digital