PC PRENDE 3 POR USAREM DECISÃO DO STF PARA TRAFICAR DROGAS EM MT
em 16/04/2026 as 12:22
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Supremo Engano, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso envolvido com o tráfico de drogas na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande.
O principal investigado utilizava uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e documentos falsos para simular uma doença, com o objetivo de obter autorização judicial para cultivar e transportar entorpecentes.
Durante a operação, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial. A investigação apura crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
As ordens judiciais foram cumpridas em endereços nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande. Durante as buscas, foram apreendidos materiais e documentos que irão auxiliar no aprofundamento das investigações.
A operação é resultado de meses de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), com base em apreensões, oitivas de testemunhas, análises periciais e outras diligências. Os trabalhos apontaram a existência de uma estrutura criminosa voltada ao cultivo, distribuição e intermediação de drogas, especialmente cannabis com alta concentração de THC.
Um dos principais investigados já havia sido preso anteriormente. Na ocasião, foram apreendidas drogas, insumos para cultivo e estufas montadas para produção indoor de cannabis, evidenciando a reincidência e o caráter profissional do esquema.
As investigações revelaram que o suspeito utilizava uma decisão do STF, que descriminalizou o porte de até 40 gramas de maconha para uso pessoal, como argumento para confrontar as autoridades policiais.
Em redes sociais, ele chegou a afirmar que fumaria maconha em frente à sede da Denarc, invocando a decisão como justificativa. No entanto, conforme apurado, sua atuação ia muito além do uso pessoal, configurando, em tese, tráfico de drogas e associação criminosa.
Os investigadores também identificaram que o suspeito buscava obter documentação falsa para simular uma condição de saúde, com o objetivo de conseguir um habeas corpus preventivo que lhe permitisse cultivar e transportar drogas sem fiscalização.
Esquema do tráfico
Segundo o delegado Eduardo Ribeiro, responsável pelo caso, o investigado utilizava uma estratégia que combinava o uso indevido de decisões judiciais legítimas com a produção de documentos falsos, demonstrando sofisticação e ousadia.
Uma das práticas identificadas consistia na compra de produtos de cannabis legalizados, mantendo a embalagem original, mas substituindo o conteúdo por droga cultivada ilegalmente, com o objetivo de enganar fiscalizações.
As investigações também apontaram a participação de outros envolvidos, responsáveis pela comercialização das drogas e pela movimentação financeira, caracterizando uma associação criminosa estruturada, conforme o artigo 35 da Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006).
Supremo Engano
O nome da operação faz referência à tentativa de ocultar atividades criminosas sob aparência de legalidade, seja pela distorção de decisões judiciais, uso de documentos falsos ou autorizações medicinais como fachada.
Operação Pharus e Renorcrim
A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas no Estado.
Também faz parte da Operação Nacional da Renorcrim (Rede Nacional de Unidades Especializadas no Enfrentamento das Organizações Criminosas), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Senasp e da Diopi, promovendo uma atuação integrada das Polícias Civis em todo o país.
Por Folhamax
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