Foto por: João Vieira

Uma série de corpos encontrados em diferentes municípios em um intervalo de apenas quatro dias acende o alerta para o avanço da violência em Mato Grosso. Os casos recentes envolvem vítimas executadas, desaparecidas e localizadas já em estado de decomposição, reforçando um cenário preocupante no estado.

Na manhã desta quarta-feira (25), um homem foi encontrado morto em Cuiabá. A vítima foi identificada como Luis Felipe Campos de Amorim Leite, 33. Ele estava ao lado do muro de um condomínio, com marcas de tiros na cabeça. Segundo a Polícia Militar, o homem utilizava tornozeleira eletrônica, o que permitiu sua identificação.

Um dia antes, na terça-feira (24), outro corpo foi localizado, desta vez em Rondonópolis. Edmilson Martins dos Santos Júnior, 28, foi encontrado em uma estrada rural com diversas perfurações pelo corpo, a maioria provocada tiros.

Também na terça-feira, em Cáceres (220 km a Oeste), o jovem João Vitor Oliveira do Nascimento, 18, que estava desaparecido desde o dia 16 de março, foi encontrado morto em estado avançado de decomposição, nas proximidades de um cemitério.

Já no domingo (22), a jovem Alice Viana, 22, foi encontrada morta em uma estrada rural no distrito de Guatá, em Colniza. Ela estava desaparecida desde o dia 19, e o caso segue sob investigação.

No mesmo dia, outro corpo em avançado estado de decomposição foi localizado boiando em um rio, nos fundos de um seminário, em Diamantino. A vítima, aparentemente um homem, ainda não identificada. 

Violência em alta

A sequência de ocorrências em poucos dias reflete um cenário alarmante de criminalidade que já vinha sendo apontado por dados oficiais. Apenas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, Mato Grosso registrou 95 vítimas de homicídio doloso, uma média de dois assassinatos por dia, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Entre os municípios, Cuiabá lidera o ranking, concentrando 12 assassinatos nesse período.

Os casos recentes mostram padrões que se repetem: execuções com disparos de arma de fogo, corpos abandonados em áreas isoladas e vítimas encontradas dias após o desaparecimento. A dinâmica reforça a complexidade dos crimes e a possível relação com organizações criminosas, embora as investigações ainda estejam em andamento.

Diante da frequência dos registros, cresce a preocupação com a escalada da violência e a sensação de insegurança, especialmente no interior do estado, onde muitos dos casos têm sido registrados.

Por Gazeta Digital