A Câmara de Cáceres cancelou a sessão extraordinária que estava marcada para esta sexta-feira (29/05), às 9h, para votação do Projeto de Lei nº 011/2026, do Executivo, que autoriza a contratação de operação de crédito de R$ 68,9 milhões junto à Caixa Econômica Federal, com garantia da União, para obras de esgotamento sanitário e ampliação da capacidade de abastecimento de água no município.
A solicitação de cancelamento foi do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), vereador Franco Valério , por meio de ofício interno encaminhada à Presidência da casa de leis. O motivo do cacelamento é para a matéria ser melhor discutida com a sociedade cacerense, antes de qualquer votação em plenário sobre o assunto.
No documento endereçado ao presidente da Câmara, Flávio Negação, o vereador também destaca a necessidade de “suspensão da sessão extraordinária para adequação dos procedimentos legislativos pertinentes”. Com isso, ficam suspensos o edital de convocação, a reserva do plenário e demais atos relacionados à realização da sessão.
A matéria tramita em regime de urgência urgentíssima desde sua leitura na sessão ordinária do dia 11 de maio, e ainda não há nova data definida para votação. O projeto segue nas comissões da Casa para análise técnica.
Ação rápida da Polícia Militar evitou uma segunda morte e prendeu os suspeitos em flagrante; sob a nova Lei Antifacção, penas podem ultrapassar 136 anos de prisão.
Uma ação ininterrupta da Polícia Militar desarticulou um "tribunal do crime" e resultou na prisão em flagrante de três integrantes de uma organização criminosa na noite de 25 de maio de 2026, no município de Bom Jesus do Araguaia (MT).
A captura do grupo ocorreu logo após os criminosos manterem dois homens amarrados em cárcere privado e executarem a vítima José Inácio de Jesus Brito com um tiro na cabeça.
A intervenção rápida das guarnições evitou que a segunda vítima fosse assassinada e inaugurou na região a aplicação da recém-sancionada Lei Antifacção, cujas implicações penais determinam que a soma das penas máximas em tese pode chegar a 136 anos e 8 meses de reclusão para cada investigado.
O delito teve início quando José Inácio e a vítima sobrevivente se dirigiram a um ponto de venda de drogas na Vila Planalto. No local, os suspeitos de iniciais L.R.J. e N.R.B. submeteram os compradores a uma triagem forçada, vasculhando os aparelhos celulares de ambos.
Ao encontrarem uma fotografia que supostamente vinculava José Inácio a uma facção rival, a dupla sacou uma pistola, amarrou as vítimas com cordas e as manteve sob forte ameaça por cerca de três horas. Para executar a punição, os traficantes acionaram N.G.C.S., homem apontado como o "disciplina" responsável por garantir e executar as ordens do grupo criminoso.
Com as vítimas subjugadas, o executor as transportou até uma estrada de terra nas margens da rodovia BR-158, próximo ao Posto do Arnon em direção a Porto Alegre do Norte, onde José Inácio foi assassinado com um tiro na cabeça. No exato momento do disparo, o sobrevivente aproveitou uma distração, correu em direção a uma lavoura de milho sob os tiros de N.G.C.S. e conseguiu alcançar a rodovia para pedir socorro a motoristas.
Foi a partir do relato exato dessa testemunha que a Polícia Militar fechou o cerco, localizando a base do grupo e apreendendo porções de maconha e cocaína prontas para a venda. Percebendo a aproximação veloz das viaturas, N.G.C.S. utilizou combustível para incendiar o próprio celular até destruí-lo por completo, uma manobra para apagar comunicações da facção e esconder a identidade de um quarto envolvido.
Ao receber o flagrante, o delegado de Polícia Civil Victor Donizete de Oliveira Pereira representou de imediato pela prisão preventiva dos três acusados, sem direito a fiança. De acordo com o delegado, a acusação foi feita no rigor da nova Lei nº 15.358, que entrou em vigor em 24 de março de 2026, sendo este caso em específico, o primeiro registro de enquadramento criminal do tipo registrado no estado de Mato Grosso até o momento.
Além de responderem por homicídio qualificado consumado, homicídio tentado, tráfico de drogas com pena dobrada e fraude processual, o grupo foi indiciado pelo novo crime de "domínio social estruturado".
Na prática jurídica, isso significa que a lei agora pune de forma autônoma e cumulativa o ato de usar o terror armado para impor o controle sobre a comunidade, justificando o acúmulo extremo das penas solicitadas.
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia de Polícia de Juscimeira, prendeu em flagrante um homem de 25 anos acusado de estelionato digital. A prisão aconteceu na terça-feira (26), no Distrito de Santa Elvira, pertencente ao município de Juscimeira.
A investigação começou após o registro de uma ocorrência feito no último dia 25 de maio. Conforme relato da mãe da vítima, seu filho, de apenas 14 anos, enfrenta graves problemas no quadril e necessita de uma cirurgia de alto custo.
Diante da situação delicada, a família iniciou uma campanha solidária, incluindo a realização de uma rifa, com o objetivo de arrecadar recursos para custear o tratamento médico. O adolescente chegou a gravar um vídeo pedindo ajuda à população, material que passou a ser compartilhado em Santa Elvira e cidades da região.
Entretanto, durante a divulgação da campanha em Juscimeira, a família foi alertada por moradores de que já havia uma chave PIX sendo divulgada em nome da arrecadação. Ao verificar o conteúdo compartilhado, a mãe do adolescente descobriu que um criminoso estava utilizando indevidamente a imagem e a história do filho para pedir transferências bancárias, se passando falsamente pelo pai do garoto.
Diante da denúncia, investigadores da Polícia Civil iniciaram imediatamente diligências e trabalhos de inteligência para identificar o responsável pelo golpe. Com base nas informações levantadas durante as investigações, os policiais conseguiram localizar e prender o suspeito nesta terça-feira.
O investigado foi encaminhado à Delegacia de Polícia, onde foi apresentado à autoridade policial para as providências cabíveis. As investigações continuam para identificar possíveis comparsas e apurar se outras pessoas participaram do esquema criminoso.
A Polícia Civil reforçou o alerta à população sobre os cuidados ao realizar transferências financeiras por meio de campanhas divulgadas em redes sociais e aplicativos de mensagens, orientando que sempre sejam verificadas a autenticidade das informações e das chaves PIX utilizadas nas arrecadações solidárias.
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (27.5), a Operação Tu Quoque, para cumprimento de ordens judiciais com foco na desarticulação de um esquema de roubo de entorpecentes e tráfico de drogas com ligação entre duas facções criminosas atuantes no Estado.
Na operação, são cumpridas 15 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão e 11 de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cáceres, com base em investigações conduzidas pela Delegacia de Pontes e Lacerda.
Também são cumpridas medidas de restrição de veículos e bloqueios de contas bancárias dos investigados, no valor de até R$ 2,5 milhões. Entre os alvos envolvidos no esquema está um praça da Polícia Militar, apontado como um dos líderes do grupo investigado.
Os mandados são cumpridos nas cidades de Pontes e Lacerda e Várzea Grande, com apoio das equipes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
As investigações têm como foco a desarticulação de um esquema de roubo de entorpecentes subtraídos em pontos de armazenamento de drogas de uma facção criminosa na região de fronteira e que, posteriormente, eram redistribuídos por integrantes de outra facção na região metropolitana.
Roubo e tráfico de drogas
Segundo as investigações da Delegacia de Pontes e Lacerda, o esquema funcionava por meio de dois núcleos, um deles responsável por identificar e monitorar possíveis depósitos de drogas de uma facção criminosa na região de fronteira.
O segundo núcleo tinha uma função distinta. Se deslocava da Capital do Estado para Pontes e Lacerda para atuar no roubo da droga e, posteriormente, transportar e distribuir os entorpecentes na região metropolitana.
O praça, apontado como principal alvo da operação, era o responsável pelo roubo do entorpecente, saindo da Capital para Pontes e Lacerda para subtrair a droga. Ele também fazia a separação do entorpecente para outra equipe do grupo criminoso, que atuaria na distribuição.
Desarticulação do esquema
A descoberta do esquema ocorreu após a prisão de um dos envolvidos. Na ocasião, outros integrantes do grupo conseguiram escapar mas, com o avanço das investigações, foram identificados. Também foi descoberto o esquema envolvendo roubos ligados a facções criminosas, além da redistribuição e comercialização do entorpecente subtraído.
Além dos crimes de roubo e tráfico de drogas, as investigações identificaram o envolvimento do grupo em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico, por meio de diversas transações bancárias envolvendo familiares, casas de apostas e empresas de fachada para a pulverização dos valores.
Nome da operação
A expressão latina tu quoque significa literalmente “tu também” ou “até tu” e faz referência ao fato de existir, como pivô do grupo criminoso, um membro das forças de segurança, representando uma significativa quebra da confiança depositada e esperada dos agentes públicos.
Operação Pharus
A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.
Renarc
A operação faz parte da sexta fase da Operação Narke, da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento do Narcotráfico (Renarc). A rede reúne delegados titulares das unidades especializadas e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (DIOPI), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de enfrentamento ao narcotráfico.
Número de homicídios entre adolescentes cresceu 49,5% no período de um ano em Mato Grosso. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os dados chamam mais atenção dentro do contexto, em que os dados gerais, incluindo as vítimas de todas as idades, praticamente se mantiveram iguais, sendo 1.105 em 2023 e 1.102 em 2024. Mas as mortes com vítimas entre 15 e 19 anos passaram de 107 para 160 no mesmo período.
Em cinco anos, o crescimento foi de 52,4%. O levantamento mostra ainda que, em 10 anos, 1.399 adolescentes entre 15 a 19 anos foram assassinados no Estado, representando 11% dos homicídios registrados. A guerra entre facções e o recrutamento cada vez mais precoce de jovens pelas organizações criminosas está entre os fatores de mortes entre este público.
A taxa de homicídios nesta faixa etária ficou em 56,3 a cada 100 mil, a quinta maior do país. Promotor de Justiça, João Batista de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), destacou que o conflito entre as facções pode contribuir para os homicídios. Mas existe uma soma de fatores que contribuem para o crescimento, entre eles confronto com a polícia, violência doméstica e “penas” aplicadas pelos “disciplinas” das organizações criminosas, a mando dos líderes.
No Brasil, de 2014 a 2024, 301.825 jovens entre 15 e 29 anos foram assassinados — cerca de 75 por dia. Em 2024, 19.801 jovens tiveram suas vidas interrompidas, com taxa de 42,2 homicídios por 100 mil habitantes. Jovens representam 46,5% das vítimas de homicídio no país.
“A violência letal entre jovens no Brasil é, sobretudo, um fenômeno masculino, fortemente associado a fatores estruturais. Entre eles, destacam-se normas de masculinidade que incentivam a exposição de homens jovens ao risco e a naturalização da agressividade como traço masculino (...) O crime se fortalece no descontrole do sistema de execução penal, ante a superlotação, que ajuda a desorganizar o sistema, e ainda na facilidade com que crianças e jovens são arregimentados para o crime pela falta de oportunidades e de perspectivas de uma trajetória de vida satisfatória, que lhes possibilite acesso aos meios econômicos para atingir os ideais de sucesso em uma economia de mercado”, diz o estudo.
Professora de Criminologia e Direito Penal da Universidade Federal de Mato Grosso, Vladia Soares destacou que o Estado é rota estratégica do tráfico por fazer fronteira com a Bolívia. Isso aumentou o recrutamento de adolescentes pelo tráfico, assim como conflitos entre facções em bairros periféricos e cidades do interior.
“O Atlas mostra que a maioria esmagadora dos homicídios de adolescentes ocorre com arma de fogo. Entre vítimas de 15 a 19 anos, mais de 80% morreram baleadas”, enfatizou.
Outro lado
A Secretaria do Estado de Segurança Pública destacou que o Atlas traz informações de 2024. Enfatiza que, a partir de novembro de 2024, com a criação do Programa Tolerância Zero às Facções Criminosas, fortaleceu as ações de prevenção e repressão à criminalidade, instituindo novas delegacias, aumento do efetivo das forças policiais, investindo em armamento, viaturas, entre outras ações. Garante que os dados reduziram entre 2024 e 2025, com registro de 749 homicídios no último ano.
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Na manhã de ontem, terça-feira (26/05), por volta das 08h30, durante a Operação Protetor das Fronteiras, Operação Brasil Contra o Crime Organizado – Divisas e Operação Brasil Contra o Crime Organizado – Fronteiras, em continuidade à força-tarefa do GEFRON no combate aos crimes transfronteiriços entre Brasil e Bolívia, uma ação conjunta entre o GEFRON e o Exército Brasileiro resultou na recuperação de um veículo com registro de furto.
Após troca de informações, as equipes receberam denúncia de que um veículo Hyundai HB20 branco, com queixa de roubo/furto, estaria sendo conduzido por uma mulher na zona rural do município de Porto Esperidião, região de fronteira.
Diante das informações, os policiais realizaram diligências e conseguiram localizar o automóvel. Durante a abordagem, foi constatado que o veículo era produto de furto ocorrido no município de Várzea Grande-MT.
Diante dos fatos, a suspeita e o veículo foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Porto Esperidião para as providências cabíveis.